Saúde mental e sua importância

A saúde mental de crianças com fissura labiopalatina é um componente essencial durante o cuidado integral, pois influencia diretamente o desenvolvimento emocional, social, principalmente no ambiente escolar. O impacto da condição pode envolver desafios relacionados à autoestima, à interação social e ao enfrentamento de procedimentos cirúrgicos e terapêuticos desde os primeiros anos de vida.⁴⁸ Estudos apontam que a vivência da criança e de sua família diante da fissura envolve experiências de ansiedade, medo e estresse, especialmente em momentos de diagnóstico e tratamento.⁵⁴ ⁵⁵

O suporte psicológico adequado contribui para o fortalecimento da autoestima, o desenvolvimento de habilidades socioemocionais e a redução de riscos de problemas de saúde mental na adolescência e na vida adulta.⁵⁶ Além disso, o acompanhamento contínuo favorece a adaptação às mudanças estéticas e funcionais decorrentes das cirurgias e terapias fonoaudiológicas o que acaba influenciando estudo recente realizado por Gifalli et al. (2024) com adolescentes que nasceram com fissura mostrou que eles passam por três experiências principais:

Relacionamentos e convivência

  • A maneira como são vistos e tratados por colegas, familiares e pessoas ao redor pode influenciar muito seu bem-estar.

Imagem: Gabriella Araujo 

  • Apoio emocional

  • Ter alguém para ouvir, acolher e ajudar nos momentos difíceis, seja um familiar, amigo ou profissional de saúde, é essencial.

Imagem: Gabriella Araujo

  • Enfrentamento do preconceito 

  • As crianças com fissura palatina podem enfrentar atitudes preconceituosas e estigmatizantes tanto no convívio familiar quanto na comunidade. Essas situações, muitas vezes, incluem práticas de bullying, especialmente no contexto escolar, onde a interação com colegas pode potencializar sentimentos de exclusão e insegurança.⁴⁸

Imagem: Gabriella Araujo

Esses jovens relataram que o apoio da família e dos profissionais faz toda a diferença para se sentirem seguros, confiantes e preparados para enfrentar os desafios da vida. O cuidado com a saúde mental ajuda a criança a se reconhecer, se fortalecer e viver de forma plena, começa desde cedo, com atenção, afeto e acompanhamento especializado.⁵⁵ ⁵⁶

Quais profissionais buscar?

O cuidado em saúde mental deve ser realizado por uma equipe multiprofissional, que pode incluir psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais. O psicólogo é o profissional mais diretamente envolvido no apoio emocional, na promoção de estratégias de enfrentamento e no fortalecimento dos vínculos familiares.⁵⁷ O psiquiatra atua em casos mais complexos, como depressão ou transtornos de ansiedade que demandem tratamento medicamentoso.⁵⁸ Já o assistente social auxilia no acesso a direitos, benefícios sociais e rede de apoio.⁵⁹

A articulação entre profissionais de saúde mental e fonoaudiólogos é essencial, pois questões emocionais podem interferir na adesão ao tratamento de reabilitação da fala e deglutição. ⁶⁰

Onde buscar no Sistema Único de Saúde (SUS)?

No SUS, o acesso ao cuidado em saúde mental pode ser iniciado na Unidade Básica de Saúde (UBS), onde o médico de família ou enfermeiro realiza o acolhimento e, se necessário, encaminha para serviços especializados.⁶¹ Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são a principal porta de entrada para casos moderados a graves, oferecendo atendimento psicológico, psiquiátrico e atividades terapêuticas em grupo. No Sistema Único de Saúde (SUS), o cuidado em saúde mental é estruturado em diferentes níveis de atenção, sendo os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) os serviços especializados responsáveis pelo acompanhamento contínuo dos usuários. Conforme a Lei nº 10.216/2001, os CAPS têm como objetivos oferecer tratamento em liberdade, promover a reintegração social e garantir os direitos das pessoas com transtornos mentais, constituindo um elemento central na atenção psicossocial e na substituição gradual do modelo hospitalocêntrico. ⁶²

Em municípios menores, onde não há CAPS, o atendimento pode ser feito em ambulatórios especializados ou por equipes de Núcleo Ampliado de Saúde da Família (NASF), que atuam junto às UBS com profissionais de saúde mental.⁶³ Para cuidadores de crianças com fissura labiopalatina, é fundamental contar com suporte psicológico e emocional. O estudo de Picinato et al. (2021) destaca a importância de redes de apoio que auxiliem os familiares, oferecendo orientação, informações claras sobre os cuidados necessários e apoio para lidar com os desafios diários do tratamento, promovendo o bem-estar e a autonomia das famílias.

Fonte: YouTube – Canal Zé Bastos - Cirurgião Bucomaxilo